Pular para o conteúdo principal

A quimera da passagem de passagem

Todo ano, quando se aprochegam estes tempos de festas, estes fatigados e adinâmicos últimos dias do calendário anual, sempre, desde que me conheço não me reconhecendo, uma colossal e íntima apatia me toma por completo. Não por não gostar das festas, comidas, bebidas e os encontros com amigos e familiares, o que devo declarar já em confissão, são justamente tais eventos os quais tornam as mesmas datas um pouco menos excruciantes. 

Creio ser algo ainda mais profundo do que a própria fadiga de mais um ano que se completa. A expectativa ilusória e repleta de fé acerca de um novo ano no qual as coisas serão melhores, mais prósperas e que tudo "dará certo", é, talvez, um dos gatilhos e grande chave psíquica para que tudo seja tal qual e congênere, de modo lancinante e sórdido, numa graciosa fantasia, cujas máscaras ao final da derradeira bebederia em fuga de esquecimento, e, sua respectiva ressaca em pílulas do dia seguinte , a degenerescência de tudo o quanto se almeja. 

Me evocam em ecos de memória que no peito do futuro pulsa o coração do passado. Caber em tudo o que é tudo, não cabendo em lugar nenhum, é o ponto de lucidez que com intrepidez devemos arrostar a incógnita das incógnitas dos dias porvir. E assim sendo, tudo quanto foi, e o que é, sendo o que for ou o que seja, também moldará tudo o quanto virá. 

Ainda assim, no reiterativo e de lugar comum, os votos que perpetuamente são declarados, e, aqui também vos deixarei por escrito em vias digitais, desejo-lhes um feliz Natal e próspero Ano Novo. Até a volta dos que voltarem.

Cresppo.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ecos Elucubrativos I - Aspiração

A bebedeira do meu último suspiro será a última melodia que remará com a brisa do tempo. Cresppo.  

CARTA ABERTA A JOSÉ ELIAS FERNANDES

CARTA ABERTA A JOSÉ ELIAS FERNANDES, OU “LALANESHA DASA” Bellaria-Igea Marina, 27 de Fevereiro de 2015. Primeiramente começo esta missiva já com a dificuldade de endereçá-la. Não pela impossibilidade de alcançar o desígnio, mas pelo fato de que o referido cidadão se utiliza de uma multifacetada gama de diferentes perfis em redes sociais; perfis com nome, sobrenome, alcunha, costumes, anseios e aspirações específicas para cada uma de suas páginas. Em uma simples pesquisa me deparei com mais de cinco diferentes “personagens”. Em suma, a dificuldade de endereçar esta missiva reserva um caráter ainda mais especial - não posso afirmar se o destinatário existe ou não. Digo, evidentemente existe uma pessoa por trás destes diversos perfis, só não sei se é quem se apresenta em algum deles. Enfim, uma vez superado o enigma inicial, com esmero irei encetar esta carta. Há tempos, dada a minha total aversão a situação política, ideológica e moral de tudo o que vem acontecendo no Brasil, comec...

Parasita da escrita

Não me apetece escrever!  A escrita me provoca e eu não largo a maldita. A fera me toca com a tinta da sua desdita e, eu, para não a ver aflita, uso verbo de moca, e desdenho o que me medita.  Sou parasita da escrita. Cresppo.